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sexta-feira, 22 de março de 2019

A História do Código Morse

Você sabe o que é o código morse?Ou ainda quando ele foi criado e com que finalidade? Neste artigo vamos dar as respostas para estas perguntas e ainda por cima mostrar o alfabeto em código morse e dar algumas dicas de como aprender essa linguagem.

Em primeiro lugar é preciso saber que a transmissão por código morse não é usada ou monitorada por nenhum país do mundo de maneira oficial. No entanto, ele foi um código de linguagem de extrema importância para a história das comunicações.

Principalmente no que diz a respeito a Segunda Guerra Mundial. Já que, uma década antes, o código passou a ser usado em todas as transmissões marítimas e até mesmo áreas.

Isso se tornou decisivo para a realização de manobras a fim de evitar ataques inimigos. Por causa da importância histórica deste tipo de código, este post é dedicado totalmente a tirar dúvidas e apresentar curiosidades sobre ele.

O que é o código morse?

O código morse é um sistema de transmissão por código, que usa sinais binários, que foi criado originalmente para ser usado com telégrafos elétricos. Um telégrafo era um aparelho de comunicação para longas distâncias que foi criado em 1835, nos Estados Unidos.

Um dos criadores, e que batizou a invenção foi Samuel Morse, um artista, físico e inventor. Ele desenvolveu um sistema de códigos, que usava pulsos elétricos para enviar informações em longas distâncias.
Esse sistema de códigos usava pulsos elétricos para enviar informações em longas distâncias 
Para isso, utilizava pontos e linhas que eram organizados para representar um certo número, que estaria em um dicionário com a palavra equivalente.

No início os telégrafos funcionavam usando correntes elétricas que serviam para controlar eletroímãs e produzir os pulsos magnéticos variados. Morse criou esse aparelho em conjunto com o físico Joseph Henry e com o inventor Alfred Vail.

Para conseguir enviar as informações era necessário criar um código que utilizasse apenas três tipos de pulsos e espaços entre eles.

História


Na mesma época, mais precisamente em 1837, na Inglaterra, os inventores William Cooke e Charles Wheatstone criaram um sistema parecido. No entanto, o deles utilizava um sistema de agulhas que girava para indicar qual letra estava sendo enviada. No entanto, esse aparelho não conquistou o público e apenas duas unidades foram vendidas.

Em 1844, o telégrafo de Morse foi a público e logo se tornou um sucesso. A ideia, desde o início, era que operadores treinados decodificaram os sinais para enviar ou receber mensagens de várias partes do mundo.

Uma curiosidade é que o sistema de codificação binário não foi criado por Samuel Morse. Se tem registros que datam entre os anos 400 e 200 antes da Era comum da região onde fica a Índia. Esse sistema antigo, que era muito parecido com o código morse, foi descrito pelo matemático indiano Pingala.

Como ele se tornou o que conhecemos hoje?

A ideia inicial de Morse era criar um sistema de linhas e pontos, que podiam ser traduzidos em números. Cada conjunto de números serviria para representar uma palavra, que estaria contida em um grande dicionário entregue a cada um dos controladores.

Pouco tempo depois, Alfred Vail, que foi o seu parceiro na invenção, trabalhou para aprimorar esse código. Sendo assim, ele adicionou letras e outros símbolos especiais, para deixar o sistema de transmissão mais acessível e usável.

Para isso, ele também analisou a frequência em que as letras do alfabeto latino eram utilizados no idioma inglês. Dessa maneira, ele pode colocar as letras mais usadas nas sequências mais curtas de pontos e traços. Já as letras menos utilizadas ficaram com as sequências maiores. Sendo assim, o código ficou mais curto e fácil de ser aprendido e interpretado. Mesmo que não fossem ouvidos ou vistos todos os sinais do código.

Outro fato que ajudou a popularizar o modelo criado por morse foi que não havia a necessidade de ter uma folha de papel acoplada a máquina. No início ela digitava os símbolos em uma tira de papel e pouco tempo depois isso se tornou opcional, pois os operadores conseguiam ouvir os pontos elétricos que eram enviados. Dessa forma, era possível fazer uma decodificação rápida, precisa e sigilosa. Com isso, o código morse pode ser um sinal sonoro, luminoso ou até mesmo escrito.

O mais conhecido alfabeto em código morse é no alfabeto latino, que é usado em quase todos os países ocidentais. Contudo, alguns países possuem um alfabeto próprio. Por isso, ao longo dos anos foram sendo criadas extensões para o código morse oficial, fazendo com que ele pudesse ser utilizado em todo o mundo.

Onde o código morse era utilizado?

No início, o código morse era usado em todas as comunicações de longa distância, que precisavam ser feitas em um curto espaço de tempo. Para isso era utilizada uma rede de telégrafos espalhados por várias partes do mundo.

A partir de 1890 ele passou a ser usado em larga escala em transmissões viasinal de rádio. Vale lembrar que nessa época ainda não era possível enviar voz. Ou seja, o código morse era a única maneira possível de comunicação através do rádio. Dessa maneira, grande parte das comunicações a longa distância que foram realizadas durante o final do século 19 e início do século 20, utilizaram o código morse.

Seja através de telégrafos, rádios ou mesmo cabos submarinos que foram instalados em várias regiões. Na década de 1920, todo avião comercial ou militar, deveria ter a bordo uma pessoa capaz de entender o código morse.

Isso servia para receber ou enviar mensagens para a torre de controle, que ficava no solo. Na década seguinte, pilotos civis e militares precisavam ter habilitação no código para fazer qualquer voo. Principalmente pelo fato de todos os sistemas de navegação e comunicação serem feitos dessa maneira. Esse sistema foi batizado de radiotelegrafia, já que unia as duas tecnologias para trazer agilidade ao processo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, que durou de 1939 a 1945, essa tecnologia foi implantada nos navios e largamente utilizada pelo mundo. Sendo assim, todos os navios deveriam ter a bordo pessoas que soubessem código morse, como uma forma de receber e enviar mensagens, coordenadas e evitar ataques de forças inimigas.

Da mesma forma começaram a ocorrer interceptação de mensagens e espionagem da comunicação inimiga. Era usada também para enviar mensagens diretamente para os campos de batalha, para repassar ordens e planos para agir.

Onde ele é usado atualmente?

Por conta da sua importância para o início das comunicações em longas e em um curto período de tempo, o código morse é reconhecido como linguagem oficial em quase todos os países.

No entanto, o seu uso atualmente ficou restrito a alguns serviços específicos e a entusiastas de rádio amador. Inclusive, até recentemente, saber perfeitamente o código morse era um dos requisitos para conseguir a licença de rádio amador.

Na marinha mundial o código deixou de ser usado em 1999. Sendo substituído pelo Sistema Mundial de Socorro e Segurança Marítima. A guarda costeira e marinha dos Estados Unidos, no entanto, usa até hoje uma comunicação através de código morse.

Algumas áreas da aeronáutica e da aviação civil ainda utilizam leitores de código morse. Para fins militares, quase nenhum país do mundo declarou oficialmente fiscalizar as transmissões nesse tipo de código.

Como ler em código morse?

Qualquer pessoa pode aprender a ler ou decifrar mensagens em código morse. Para isso basta estudar e ter paciência em gravar todos os símbolos e os seus equivalentes em letras e números.

Antes de mais nada é preciso saber os sinais básicos, que são dois tipos. Ossinais curtos, que são representados visualmente por um ponto e chamados de DIT. Em segundo lugar existem os sinais longos, que são chamados de DAH. Esses sinais são representados visualmente por um traço e geralmente são três vezes maiores ou mais longos que os dits.

Logo depois de aprender os sinais, é necessário ouvir gravações, até aprender a distingui-los em sinal sonoro. Existem diversas gravações que podem ser encontradas na internet e até aplicativos que ajudam no aprendizado do código morse.

Por fim, é preciso começar a treinar no dia a dia. Isso faz com que o aprendizado seja assimilado melhor e que o uso dele se torne mais natural. Para isso é possível escrever bilhetes ou listas de compras, por exemplo.

Outra possibilidade é usar sites da internet que convertem textos em código morse. Um exemplo é o Tradutor de Código Morse, para usar basta digitar o texto desejado e ainda é possível ouvir a tradução em código morse.

Tabela do alfabeto em código morse

O código morse universal é compatível com o alfabeto utilizado no Brasil. Sendo assim, separamos neste artigo além do alfabeto, a tabela de números e de sinais em código morse para quem deseja aprender.
O alfabeto morse é composto por pontos e traços
Lembrando que o sistema é binário e representado visualmente por pontos e traços.

A: .-
B: -…
C: -.-.
D: -..
E: .
F: ..-.
G: –.
H: ….
I: ..
J: .—
K: -.-
L: .-..
M: —
N: -.
O: —
P: .–.
Q: –.-
R: .-.
S: …
T: –
U: ..-
V: …-
W: .–
X: -..-
Y: -.–
Z: –..

Já a tabela de números em código morse é o seguinte:

1: .—-
2: ..—
3: …–
4: ….-
5: …..
6: -….
7: –…
8: —..
9: —-.
0: —–

Alfred Vail além de letras e números adicionou alguns símbolos especiais, como sinais de pontuação na tabela oficial do código morse. Confira alguns dos mais usados.

Ponto: ……
Ponto e vírgula: -.-.-.
Vírgula: .-.-.-
Dois pontos: —…
Interrogação: ..–..
Exclamação: –..-
Aspas: .-..-.
Hífen ou traço de separação: -…-
Parênteses: -.–.-
Sublinhado: ..–.-
Traço duplo: -…-

O espaço entre as palavras é representado visualmente pelo símbolo da barra.

Como falar socorro neste código?

Todo mundo sabe que a sigla universal de pedido de socorro é a mundialmente famosa SOS. Algumas histórias sobre a origem dessa sigla dizem que ela é uma abreviação de save our ships, traduzido como salve nossos navios.

Outras histórias afirmam que significa save our souls, que pode ser traduzido como “salve nossas almas”. No entanto, a história real é que essa sigla foi criada exclusivamente para código morse. Principalmente porque ela é formada por uma combinação simples e quase impossível de ser confundida. Por isso, se tornou oficial em 1908, quando se popularizou por todo o mundo.

Em código morse, esse pedido de socorro é representado por “…—…”. Ou seja, três sinais curtos, em seguida três sinais longos e por fim mais três sinais curtos.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Múmias de Nazca: Extraterrestres ou outra espécie nativa da Terra?

No dia 19 de novembro passado ocorreu uma Conferência o Congresso da República do Peru, apresentando o relatório final dos testes efetuados nas famosas múmias anômalas de Nazca, que alguns pesquisadores acreditam ser de seres extraterrestres.

Agora, a mídia internacional (de fora do Peru) está se manifestando, embora a notícia ainda não tenha alcançado (convenientemente) a mídia corporativa. Mas este já é um progresso:


É hora delas [as múmias] finalmente serem aceitas pela comunidade científica pelo que eles realmente são … o que quer que sejam?

Em 19 de novembro, as pessoas que as estudam desde sua descoberta, The Alien Project, fizeram uma apresentação televisionada de quase cinco horas sobre suas últimas descobertas e análises no Congresso da República do Peru, em Lima, com a presença de pelo menos um membro do parlamento peruano.

Os resultados estão aí…

“As múmias de Nazca são autênticas. A demonstração pelos resultados das análises de DNA, os scanners, as radiografias, a tomografia. De acordo com análises de DNA, scans e raios X, os especialistas são confrontados com os fatos, os incríveis “Pequenos Grays” e Maria pertencem a duas novas espécies totalmente desconhecidas até hoje. É claro que estamos diante de uma descoberta inesperada e de interesse para toda a humanidade!…

O vídeo de cinco horas foi imediatamente publicado na revista Ikaris e todos os dados e imagens estão em exibição no site do The Alien Project. Felizmente, os resultados foram resumidos por vários sites e são realmente interessantes…

Aqui estão alguns dos destaques da última apresentação:

Os testes de DNA das múmias não mostram nenhuma relação com qualquer humano ou animal conhecido.

Os ossos das múmias são ocos mas rígidos, semelhantes à estrutura dos ossos das aves. Há desgaste visível nas articulações entre os ossos, o que indica que os seres eram de idade avançada e que estavam realmente vivos – em outras palavras, as múmias não eram montadas de várias partes.

Varreduras em 3D do interior das múmias mostram que os ossos, órgãos, músculos, gordura e possíveis ovos estão nos locais apropriados para as criaturas terem sido seres vivos.

Os dados não correspondem a nenhuma espécie conhecida, tornando altamente provável que estas sejam uma espécie desconhecida com um caminho evolutivo separado dos humanos.

As características que parecem ovos na múmia Josefina são de vários tamanhos, indicando diferentes fases de desenvolvimento.


Novamente, há uma cobertura muito mais detalhada dos dados e análises no website do The Alien Project.

A presença e aparente aprovação da apresentação pelo deputado Armando Villanueva Mercado conferiu legitimidade ao anúncio, embora este tenha admitido que o Ministério da Cultura do Peru recusou um convite para participar. O público foi preenchido com muitos arqueólogos universitários e especialistas no campo de estudos de múmia, que é um grande campo no Peru. Como esperado, houve muita discordância no final da apresentação, com muitos repetindo a mesma queixa que tiveram ao longo da história dessas múmias com três dedos – que eles não foram autorizados a participar ou mesmo observar o estudo e as análises. dos restos e que todo o processo não seguiu os procedimentos científicos adequados.

Por outro lado, o público também continha muitos crentes e novos convertidos, e espera-se que haja uma cobertura mais detalhada do relatório.

É este o anúncio que muda tudo? Se não, quem iria tão longe para perpetrar uma fraude? (Sim, nós o ouvimos, céticos do pouso na lua.) Sim, o nome “Alien Project” é presunçoso e muitos dos participantes nos muitos anúncios sobre essas múmias estavam errados antes. Neste ponto, se The Alien Project (e o governo peruano e o Congresso Mundial sobre Múmias que protegem corretamente a dignidade dos restos de antigos peruanos, sejam quais forem) não permitem testes e análises científicas externas, os três dedos do medidor de múmia alienígena ainda está preso entre ‘céticos’ e ‘não comprovados’.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Volgogrado e a Segunda Guerra Mundial

Chamada de Stalingrado até 1961, cidade presenciou uma das batalhas mais sangrentas da história da humanidade.
Durante as escavações para a reforma da Arena Volgogrado, que receberá quatro jogos da Copa do Mundo de 2018, operários encontraram ossadas e vestígios de bombas no local em que foi construído o estádio. Essa não foi uma surpresa para os organizadores do evento: localizada às margens do Rio Volga, a cidade testemunhouuma das batalhas mais sangrentas já registradas. Ao menos 2 milhões de pessoas morreram ou foram feridas, em um evento-chave da Segunda Guerra Mundial que mudou os rumos da História. Ao final da luta, a cidade estava reduzida às ruínas e era um cemitério a céu aberto. A vitória soviética contra as tropas nazistas havia cobrado um grande preço da população local.

Ironicamente, durante mais de 35 anos, Volgogrado recebeu o nome do líder que conduziu a União Soviética à vitória (e quase pôs tudo a perder): fundada em 1589 com o nome de Tsarítsin, a cidade foi rebatizada de Stalingrado em 1925, como homenagem aos feitos de Josef Stalin — o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética comandara tropas bolcheviques no local durante a Guerra Civil, no começo da década de 1920.

Em 1961, como parte dos esforços do líder Nikita Kruschev em "desestalinizar" a sociedade soviética, a cidade recebeu o nome do rio que corre na região. As memórias da batalha da Segunda Guerra Mundial, entretanto, jamais seriam esquecidas. Em 1967, foi construído um monumento de 85 metros de altura que representa a Mãe-Pátria Russa: sobre a colina de Mamayev Kurgan, uma mulher com feições heroicas brande uma espada gigantesca. A estátua, que pode ser vista de diferentes pontos da cidade, está situada a pouco mais de um quilômetro da Arena de Volgogrado.

Traição ou jogada de mestre?

O movimento socialista de todo o mundo ficou em choque com a notícia que o diplomata soviético Viatcheslav Molotov teria um encontro com o regime nazista da Alemanha, a poucos dias do início da Segunda Guerra Mundial. Com a benção de Josef Stalin, o tratado de não-agressão assinado em 23 de Agosto de 1939 também determinava a "partilha" do território polonês: em 1º de setembro, as tropas nazistas invadiriam o país do leste europeu e dariam início ao conflito mundial.


Para alguns militantes, a tática soviética era um sinal de submissão ao poderio nazista — ou, até mesmo, um claro indício de traição. Mas a liderança da União Soviética sabia que a assinatura do tratado era apenas uma manobra para ganhar tempo: vivendo um tardio processo de industrialização, os soviéticos eram infinitamente mais fracos que os alemães.

Para piorar, Stalin conduzira entre 1936 a 1938 um processo de consolidação do poder que marcou a perseguição e eliminação física de qualquer vestígio de oposição. Líderes bolcheviques históricos, como Lev Kamenev, Grigori Zinoviev e Nikolai Bukharin, foram acusados de conspirar contra a liderança soviética e colocar a revolução em risco. Processados, foram presos e posteriomente executados. A repressão não se limitou aos quadros políticos: três dos cinco marechais soviéticos também foram fuzilados, assim como centenas de oficiais das Forças Armadas.

Com o Exército acéfalo e poucos recursos tecnológicos bélicos, só restava à União Soviética realizar manobras para protelar o máximo de tempo possível sua entrada na Segunda Guerra Mundial. O conflito, no entanto, seria inevitável: derrotar o fascismo era uma condição básica para a sobrevivência soviética e sua tentativa de realizar uma transição ao socialismo.

Afinal, os nazistas calcavam seu pensamento político em duas premissas básicas: para que a Alemanha conquistasse sua vitória final, era necessário derrotar as "raças inferiores" (personificadas na população judaica) e destruir qualquer rastro do comunismo. Não por acaso, os nazistas defendiam um Estado forte que defendesse os trabalhadores, mas que não dava brecha alguma para a consolidação de entidades sindicais ou de movimentos sociais que contestassem a estreita ligação entre os empresários e membros do partido de Adolf Hitler — em 1933, livros de Karl Marx foram queimados em praça pública como "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

A mãe de todas as batalhas 

No dia 22 de junho de 1941, o pacto de não-agressão finalmente seria rompido. Hitler ordenara o início da Operação Barbarossa, que deslocaria quase 4 milhões de tropas nazistas com o objetivo de varrer a União Soviética do mapa e construir uma vitória em um curto período de tempo. Com a tática conhecida como Blitzkrieg — ataques rápidos e precisos com a utilização da Força Aérea e de tanques blindados — a Alemanha avançou rapidamente sobre o território soviético. Enquanto marchavam em direção à Moscou, os fascistas também se dirigiam aos territórios localizados ao sul, em busca dos campos de petróleo do Cáucaso.


Em novembro, as forças nazistas já estavam às portas da capital Moscou. Para levantar a moral da população, a União Soviética organizou uma parada militar para relembrar o aniversário da Revolução Bolchevique: as tropas desfilaram em frente ao complexo do Kremlin, sede da liderança soviética, e retornaram para o campo de batalha. A mobilização popular e o inverno russo foram determinantes para a contra-ofensiva: em janeiro de 1942, os alemães se afastaram de Moscou. O cenário, entretanto, ainda era crítico.

Enquanto lutava pela sobrevivência, o Exército Vermelho estabeleceu uma linha de defesa na cidade de Stalingrado para impedir que as tropas alemãs avançassem sobre os campos de petróleo ao sul do país. O Rio Volga seria utilizado para a movimentação de tropas e insumos básicos para a população, que permaneceu na cidade trabalhando na produção de armamentos e na escavação de trincheiras. No final de julho de 1942, a Alemanha iniciou um intenso bombardeio aéreo sobre a cidade — milhares de civis morreriam por conta dos incêndios resultantes dos ataques.

Impotentes diante da superioridade tecnológica alemã, as forças soviéticas iniciaram uma tática de aproximar ao máximo suas linhas militares em relação à vanguarda nazista, atraindo os inimigos para dentro da cidade. Assim, a utilização de bombardeios e de ataques de tanques blindados ficaria reduzida. Ao mesmo tempo, Josef Stalin editaria a ordem 227: sob a consigna de "Nenhum Passo Para Trás", a determinação estabelecia que nenhuma tropa poderia recuar sem autorização — quem desobedecesse, correria o risco de ser preso e fuzilado.

Durante o segundo semestre de 1942, Stalingrado tornou-se um matadouro: a colina de Mamayev Kurgan, que hoje ostenta o monumento da vitória, mudava constantemente de mãos. Ora ostentava a bandeira soviética, ora exibia o estandarte da Alemanha Nazista. Na fábrica de aço Outubro Vermelho, os operários mantinham a produção enquanto soldados disputavam o controle do perímetro. Em batalhas travadas casa a casa, prevalecia a utilização de atiradores de elite: o soviético Vassili Zaitsev ganhou fama de herói ao abater 243 alemães em Stalingrado.

Não por acaso, o conflito ficou conhecido como "A Mãe de Todas as Batalhas". Em dezembro, o Exército Vermelho iniciou a Operação Urano, que aproveitava uma brecha nas linhas inimigas para iniciar um movimento de contra-ataque. Ao centrar fogo contra as tropas romenas, que auxiliavam os nazistas e eram menos equipadas, os soviéticos iniciaram um movimento de cerco antes de desferir um golpe fatal.

Com problemas nas linhas de abastecimento, os alemães também sofriam com o inverno russo. Em janeiro de 1943, a liderança alemã informava Adolf Hitler que as tropas não tinham munição ou alimento — como resposta, o nazista afirmava que a luta seria feita até o último homem.


Com quase 730 mil mortos, feridos ou desaparecidos, as tropas nazistas finalmente se renderiam no dia 2 de fevereiro. A vitória soviética também cobrava seu preço: durante os meses de conflito, houve mais de 1,1 milhão de baixas, com um número desconhecido de civis mortos. A partir de Stalingrado, a União Soviética iniciaria um contra-ataque que culminaria com a chegada do Exército Vermelho em Berlim, em abril de 1945. A bandeira vermelha com a foice e o martelo tremularia em pleno Reichstag, o Parlamento Alemão que presenciou a ascensão e o fim do nazismo.

Fonte: Gizmodo

A história de Chiune Sugihara

O japonês que salvou a vida de seis mil judeus na Segunda Guerra Mundial

As histórias sangrentas e desumanas da Segunda Guerra Mundial ainda são retratadas em muitos documentários, livros, sites, etc. Mas a segunda guerra mundial também foi um evento onde algumas pessoas mostraram grandes atos de heroísmo e de amor a humanidade. No texto abaixo conheceremos uma dessas pessoas: Chiune Sugihara, que ficou conhecido como Schindler japonês.

Chiune Sugihara foi um diplomata japonês que serviu como cônsul do Império Japonês na Lituânia, durante a Segunda Guerra Mundial. Aproveitando-se da hierarquia do cargo e mesmo arriscando sua carreira e a segurança de sua família, ele pode ajudar milhares de judeus a deixar a Europa, concedendo-lhes vistos de trânsito para que eles pudessem viajar para o Japão.

Sugihara nasceu em 1 de Janeiro de 1900 em Yaotsu, uma área rural da região de Chubu, no Japão, em uma família de classe média. Seu pai era um médico respeitado e sua mãe, descendente da classe samurai. Embora o pai desejasse que ele estudasse medicina, Sugihara seguiu sua própria vocação e ingressou na Universidade Waseda para estudar Língua e Literatura Inglesa, formando-se em 1919.

Carreira como diplomata

Pouco tempo depois de se formar, Chiune Sugihara passou em um exame para uma bolsa de estudos no estrangeiro patrocinada pelo Ministério das Relações Exteriores. O Ministério o recrutou e o designou para Harbin, na China, onde ele também estudou as línguas russa e alemã, que lhe ajudaram a reforçar a carreira diplomática, e mais tarde, a que se tornasse delegado do Japão para assuntos soviéticos.

Tempos depois, Sugihara recebeu o cargo de Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros na Manchúria, cargo que desempenhou com dignidade, recusando-se em concordar com o tratamento cruel dado pelos japoneses à população chinesa. Dessa maneira, Sugihara mostrou ser uma exceção no Corpo Diplomático Imperial do Japão. Sugihara Chiune preferiu seguir sua consciência e viver de acordo com suas próprias convicções morais. Quando voltou para o Japão, ele se casou com Kikuchi Yukiko, e logo depois, em 1938, foi enviado como representantes diplomático japonês a Helsinque, na Finlândia.


Em março de 1939, Chiune Sugihara foi enviado para Kaunas como vice-consul japonês na Lituânia. Kaunas era a capital temporária da Lituânia na época, estrategicamente localizada entre a Alemanha nazista e a União Soviética.

Casa que serviu como sede do consulado japonês na Lituânia
O início da Segunda Guerra Mundial

Chiune Sugihara estava se adaptando em sua nova função diplomática, quando o exército nazista invadiu a Polônia em setembro de 1939. O resultado foi uma onda de judeus poloneses que decidiram deixar seu país e mudar-se para a vizinha Lituânia, até então neutra no conflito. Com eles vieram as histórias arrepiantes das atrocidades alemãs contra a população judaica. Os que escaparam, fugiram sem posses ou dinheiro, por isso a população judaica da Lituânia fez todo o possível para ajudá-los com dinheiro, roupas e moradia.

Antes da guerra, a população de Kaunas era de 120.000 habitantes, um quarto dos quais eram judeus. A Lituânia até então, tinha sido um enclave de paz e prosperidade para o povo israelita. A maioria dos judeus lituanos não sabiam do risco que corriam e minimizavam o que estava acontecendo na Polônia, embora os próprios refugiados poloneses alertassem que, do outro lado da fronteira, os judeus estavam sendo mortos aos milhares. Contudo, algo assim, em pleno século XX era quase impossível de se acreditar, e os judeus lituanos continuaram a levar a vida normalmente.

As coisas começaram a mudar em meados de junho de 1940, quando os soviéticos invadiram a Lituânia. Agora era tarde demais para deixar o país. Ironicamente, os soviéticos deram permissão para que somente aos judeus que tinham vindo da Polônia deixassem a Lituânia.

Em 1940, a maioria da Europa Ocidental estava sob o poder dos nazistas, com exceção da Grã-Bretanha. O resto do mundo era supostamente livre, mas a maioria dos países colocava obstáculos à imigração de refugiados judeus, e nem é preciso mencionar o perigo que eles corriam em qualquer lugar da Europa ocupada. Os judeus poloneses tinham que partir. Eles se tornaram párias.

Em meio a esta terrível situação diplomática, Chiune Sugihara de repente se tornou parte fundamental de um desesperado plano de sobrevivência. O destino de milhares de pessoas dependia dele.

Logo, começaram a chegar as notícias de que o exército alemão avançava rapidamente para o leste, em direção a Lituânia. Em julho de 1940, as autoridades soviéticas deram instruções a todas as embaixadas estrangeiras, que para a própria segurança, abandonassem Kaunas. Quase todos os consulados fecharam e seus diplomatas deixaram a Lituânia de imediato, porém, Sugihara solicitou a permanência no país. Foi lhe dada uma permissão de 20 dias de estadia.

Hitler tecia sua teia ao redor da Europa Oriental e o tempo dos refugiados em Kaunas diminuía a passos largos. Foi então que alguns dos refugiados poloneses vieram com um plano, a última chance de escaparem dos nazistas com vida. Eles descobriram que não era necessário o visto para viajar para as possessões holandesas no Caribe: Curaçao e Guiana Holandesa. Além disso, o cônsul da Holanda, Jan Zwartendijk, estava disposto a selar o passaporte com o visto de entrada. Mesmo com o passaporte carimbado pelo cônsul holandês, os judeus ainda tinham um grande problema. Naquele tempo, obviamente, não havia voos diretos para o Caribe. Os refugiados tinham que deixar a Lituânia passando pela União Soviética. Mais uma vez, a sorte parecia sorrir, pois o cônsul soviético simpatizava com eles e concordou em deixá-los passar, mas sob uma condição: além do visto holandês, eles também deveriam obter um visto de trânsito japonês, porque, obrigatoriamente, eles teriam que passar pelo Japão, a caminho das ilhas holandesas.

A atuação decisiva de Chiune Sugihara

Certa manhã, no final de julho de 1940, Chiune Sugihara e sua família acordaram devido ao barulho de uma multidão de judeus poloneses, reunidos na frente do consulado japonês. Os refugiados sabiam que só tinham uma chance. Somente se o consulado japonês lhes desse vistos de trânsito para atravessar o seu país, os judeus conseguiriam a permissão para viajar através da União Soviética. Chiune Sugihara ficou comovido pela situação e queria ajudar, mas não tinha autoridade para emitir tal número de vistos sem a autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Tóquio. Ele telegrafou ao seu governo em três ocasiões, solicitando a liberação dos vistos, mas Tóquio categoricamente negava. Os Japão não queria receber os refugiados judeus porque isso iria contrariar um poderoso aliado: Hitler.

Depois das contínuas negativas dos seus superiores, o diplomata japonês discutiu a situação com sua esposa. Era preciso tomar uma decisão difícil. Ele era acima de tudo um homem criado sob a rígida disciplina tradicional dos japoneses. Ele sabia que como diplomata, estava obrigado a obedecer as ordens do império japonês, na verdade, a obediência ao seu imperador, era uma virtude que tinha sido incutida no seu coração ao longo de toda a sua vida. Sugihara sabia que se desafiasse as ordens de seu governo, ele poderia ser demitido, desonrado, e, certamente, seria o fim de sua carreira diplomática. Tal situação, tornaria difícil sustentar a família no futuro, mas no final, o cônsul resolveu fazer o que sua consciência dizia ser o correto. Ele decidiu ajudar os milhares de refugiados, assinando os vistos de entrada no Japão.

Durante 29 dias, a partir de 31 julho até 28 agosto de 1940, Chiune e sua esposa Yukiko, se dedicaram a assinar os vistos, todos redigidos à mão. Hora após hora, dia após dia, durante aquelas quatro semanas, eles redigiram, assinaram e selaram uma média diária de 300 vistos. O trabalho foi tão intenso, que no final do dia, Yukiko precisava massagear as mãos cansadas do marido. Nem sequer paravam para comer, não querendo deixar todas aquelas pessoas em pé dia e noite em frente ao consulado.


Apesar de toda a boa vontade do jovem cônsul, alguns judeus estavam tão desesperados, que começaram a pular a cerca para entrar no consulado. Alguns deles se ajoelhavam para beijar os pés de Sugihara, implorando por um visto, gesto que tocou profundamente o diplomata. O fato de um ser humano estar disposto a lhe beijar os pés para salvar a vida e a de sua família, revelava o quão angustiadas estavam aquelas pessoas. Naquele momento, Sugihara teve certeza de que estava fazendo a coisa certa. No final de agosto de 1940 já tinham sido emitidos pelo menos seis mil vistos, até que os soviéticos obrigaram Sugihara a fechar o consulado e deixar a Lituânia.

Refugiados judeus em frente ao consulado japonês
Os refugiados judeus que obtiveram os vistos de Sugihara, foram de trem para Moscou, em seguida, tomaram outro trem e viajando pela Transiberiana, chegaram à cidade portuária de Vladivostok, que fica de frente para a costa japonesa. De lá, a maioria deles partiu para Kobe, no Japão. Depois de ficarem em Kobe por um tempo, eles foram transferidos para Xangai, na China. Milhares de judeus poloneses que estavam lá graças aos vistos do cônsul japonês, sobreviveram sob a proteção do governo japonês em Xangai.

Visto emitido por Sugihara
Vida difícil depois da Guerra

Depois de ser forçado a sair da Lituânia pelo governo soviético, Sugihara e sua família viajaram para Berlim, e depois ele foi transferido para vários consulados japoneses em toda a Europa ocupada pelos nazistas até o final da guerra. Apesar da desobediência de Sugihara no caso referente aos vistos dados aos judeus, o governo japonês sabia que as habilidades diplomáticas de Sugihara seriam úteis durante o conflito, razão pela qual durante esse tempo ele não foi removido do cargo de diplomata japonês.

Sugihara estava servindo em Bucareste no momento da rendição da Alemanha, em 1945, e quando os soviéticos assumiram o controle da Romênia, ele e sua família foram detidos por mais de um ano em um campo de internamento. Eles foram libertados em 1946, mas novamente detidos por meses em Vladivostok em sua jornada de volta para o Japão.

Ao chegar em Tóquio, em 1947, Sugihara foi pressionado a demitir-se do ministério das Relações Exteriores. Ele acreditava que a demissão foi resultado direto de sua decisão de emitir os vistos não autorizados em 1940, embora a razão oficial foi a "limpeza" do corpo diplomático durante a ocupação do pós-guerra do Japão pelos Estados Unidos.


Com a demissão, e o histórico de desobediência, toda a sua carreira de longos anos foi esquecida. O agora ex-cônsul tinha de recomeçar do zero. Para sustentar a família, ele começou a vender lâmpadas de porta em porta, e, às vezes, fazia trabalhos como tradutor de tempo parcial. Dada a dificuldade encontrada no Japão devastado pela guerra, Sugihara mudou-se para a União Soviética, imaginando que lá, seu conhecimento de outras línguas seria melhor usado. Foi mais um desafio, pois, sem sua família, ele viajou para terras soviéticas em busca de emprego. Nas duas últimas décadas da vida, Sugihara trabalhou como gerente de exportação em Moscou.

Sugihara nunca falou de suas ações na Lituânia, pois ele tinha medo da reação das pessoas. Mesmo após a guerra grupos passaram a nutrir um estranho ódio pelos judeus. O fato de os nazistas terem perseguido os judeus fez com que muitas pessoas acreditassem, naquela época, que a guerra tenha sido motivada por essa perseguição, e assim essas pessoas passaram a nutrir ódio pelos judeus, culpando-os pelo conflito. Esse foi um pensamento um tanto estranho aos nossos olhos nos dias de hoje, mas nos anos logo após a guerra pareciam fazer sentido, pois muitas pessoas haviam perdido tudo no conflito, e essas pessoas precisavam descontar sua raiva em alguém.

A população de muitos países do leste europeu sofreu bastante com o conflito, principalmente por conta da tentativa nazista de invadir a União Soviética, e porque após a guerra esses países foram anexados ao território soviético, Vale lembrar que hoje em dia em muitos desses países se encontram grupos violentos de neo-nazistas.

Reconhecimento pelo seus atos

Em 1968, Jehoshua Nishri, um membro da embaixada israelense em Tóquio e um dos beneficiários dos vistos de Sugihara, conseguiu finalmente localizá-lo. Nishri era um adolescente em 1940, quando recebera o visto do cônsul japonês.


Os refugiados que sobreviveram graças a compaixão de Sugihara, entraram com uma petição para inclusão do cônsul no Museu Yad Vashem. Em 1985, Chiune Sugihara foi nomeado " Justo entre as Nações", a mais alta distinção concedida pelo governo de Israel a cidadãos de outros países que ajudaram judeus durante o Holocausto. Sugihara estava muito doente para viajar para Israel, de modo que sua esposa e filho concordaram em participar da homenagem em seu nome.

Yad Vashem
O ex-cônsul e sua família receberam a cidadania israelense perpétua. Sugihara morreu no ano seguinte, em 31 de julho de 1986.


Apesar da publicidade dada por Israel e por outras nações, Sugihara permaneceu um desconhecido em seu próprio país, pois seus atos jamais haviam sido reconhecidos pelo governo japonês, afinal segundo o ponto de vista do governo Sugihara havia desobedecido ordens superioras e assim traído o seu país. Somente quando uma grande delegação judaica de todo o mundo, incluindo o embaixador de Israel no Japão, compareceu ao funeral dele, foi que os japoneses se deram conta da grandeza do cônsul Chiune Sugihara.


Fontes: Kid Bentinho e Sugihara (Documentário)

O Tarô Mitológico


Mitos. A vida está permeada de mitos. E o que são mitos? Podemos citar Joseph Campbell que definiu extraordinariamente isso: “Mitos são metáforas da potencialidade espiritual do humano”. O homem não pode viver sem o mito, pois uma de suas funções é explicar e dar sentido a vida. Sem o mito estaríamos livres, porém desprotegidos, desamparados.

Para despertar nas pessoas a noção da importância do mito em cada aspecto da vida e do sentimento humano, torna-se necessário, inicialmente, escolher uma forma de ilustração. Dentre as diversas formas existentes, o Tarô Mitológico contempla, basicamente, tudo que pode ser discutido. O Tarô é talvez, entre todos os oráculos, o que exerce maior fascínio sobre as pessoas. Embora sua origem seja desconhecida, as cartas do tarô vêm chamando a atenção dos homens por mais de quinhentos anos. Existem muitas teorias sobre a origem do tarô. Para alguns, vêm dos rituais religiosos e dos símbolos do antigo Egito; para outros surgiu dos cultos misteriosos dos Mitras, nos primeiros séculos da era cristã. O essencial é que cada carta (chamada pelos estudiosos de lâmina) contempla um sentido natural do homem.


O tarô mitológico, que é representado pelos mitos gregos, vai mais longe ainda. Amorais, embora paradoxalmente trazendo profundas “verdades” morais, não são propriedades exclusivas de nenhuma escola esotérica, doutrina religiosa ou seita espiritual. As divindades gregas antecedem e permeiam quase todos os símbolos religiosos da cultura judaico-cristã, assim como a arte e literatura de todo o Ocidente.

Campbell afirma que os mitos não mudam. O que muda são apenas suas interpretações. Isso acontece no tarô. Uma lâmina, por exemplo “Os Enamorados”, representa a dualidade amorosa, a incerteza entre escolher o companheiro ideal para vida, o medo dessa escolha e as conseqüências que isso pode acarretar. Tal sentido existe desde antes do homem ocidental se entender por moderno e civilizado.

Na organização imaginária, entretanto, cabe à imagem, entendida como representação concreta e sensível, de um objeto material ou ideal, presente ou ausente do ponto de vista perceptivo, o papel mediar e relacionar, evidenciando é claro, o dinamismo do pensamento. Sendo assim, as formas de representação podem ser utilizadas para a valorização, explicação ou até mesmo legitimação de uma determinada realidade. Se for deturpada, a representação transforma-se num processo que, em longa duração provoca a hierarquização da própria estrutura social. A forma como cada pessoa assimila os conhecimentos que possui é baseada na sua estética de recepção. Tal “estética” é adquirida no meio social em que a pessoa vive.


A história cultural tem por principio objetivo, identificar o modo como em diferentes lugares e momentos, uma determinada realidade social é construída, pensada e dada a ler. As percepções das formas de representação não são, de forma alguma, neutras. Produzem meios de impor uma autoridade à custa de outros. Menospreza os “entendimentos inferiores” de culturas “não civilizadas”.

A sociedade Ocidental costuma legitimar ou justificar como verdade sua própria estrutura de pensamento. Assim, as lutas de representações têm tanta importância quanto às lutas materiais. A nossa sociedade (ocidental) é inteiramente baseada na estrutura grega de pensamento e imagem. Tal manifestação pode, com certeza, ser identificada no modo como o tarô mitológico se apropria dela.

Quando uma pessoa vai a um “tarólogo” e este “lê” as cartas para ela, o momento pode ser compreendido como uma participação ativa na representação do imaginário, do mito. O tempo mitológico passa a ser aquele instante e os participantes do mito são aquelas pessoas. O pensamento grego é então apropriado e sua forma de reflexão (receptividade estética) passa a ser uma prática social.


Esta representação de identidade pode ser entendida como um “retorno” aos conceitos básicos da transmissão da cultura. Ora, a historiografia centrada na cultura vem sendo priorizada desde o movimento dos Annales. A “cultura” ou seja, conjunto ou sistema de aspectos ou manifestações (para Roger Chartier, práticas e representações) sempre esteve presente, de uma forma ou de outra, na historiografia ocidental. É um objeto que funciona como um “pressuposto inerente ao próprio ato de historiar” (FALCON, 2002. pag.34).

Por tudo isto, o tarô (ou taroth) como representação do mito, fala a linguagem que emerge da mente humana. As cartas apresentam figuras, desenhos, signos e sinais que significam símbolos ocidentais. Foi isso que atraiu tantos investigadores idôneos como, por exemplo, Jung que as analisou dentro da disciplina psicanalítica. Em síntese, o tarô é um livro. Um sistema de símbolos. Vinte e duas lâminas -os arcanos maiores- que formam uma verdadeira chave dos mistérios inconscientes. Representam o que a psicologia atual chama de arquétipo. Colocados numa determinada ordem, os arcanos maiores podem conduzir a uma viagem altamente esclarecedora. Um profundo mergulho tanto no pensamento daqueles que viveram a centenas de anos, quanto no pensamento do homem atual. Um resquício da cultura popular se não da Idade Média, pelo menos, da Idade Moderna que sofreu várias alterações ou, como Ginzburg afirma, “deformações”. A transmissão da arte de jogar o tarô até o século XVIII foi predominantemente oral. Mas o fato de uma fonte não ser “objetiva” não significa, necessariamente, que seja inutilizável (GINZBURG, 1987).


O tarô mitológico, especificamente pois existem vários “tipos” de tarô, retrata de uma forma bastante ocidentalizada os aspectos mitológicos da cultura ocidental. Sobre as 78 lâminas são lançados mitos oriundos da mitologia grega, cada qual com suas identidades relacionados a sentimentos básicos do ser humano. Sobre o exemplo anteriormente citado da lâmina dos “Enamorados”, no tarô mitológico, a carta é representada pela figura de Paris, que tem a função de juiz na escolha da mais bela deusa grega, concorrendo Athena, Hera e Afrodite.

Como a maioria dos mitos gregos são conhecidos pelo público, há uma dupla identificação: primeiro com o aspecto da dúvida, não só amorosa mas quanto ao ser humano que pretendemos nos tornar. A básica opção por sabedoria, poder, ou instinto sexual. Um dilema do cotidiano da época grega e de hoje, ou melhor, de até hoje. O segundo aspecto de identificação é com o próprio mito do julgamento de Páris, que é bastante divulgado pelos meios de comunicação.


Na visão antropológica de Lévy Strauss, o mito é a história de um povo, ele é a identidade primeira e mais profunda de uma coletividade que quer se explicar. Sobre o mito, a filósofa brasileira Marilena Chauí diz que “é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa”, que ressurge dentro de uma estrutura onde os conflitos só vão ser resolvidos no final da trama. Quem acompanha essa história sente-se preso porque quer chegar ao ápice da rede. Ela é o ponto culminante do interesse dos ouvintes. O tarô mitológico se mostra como um excelente meio de atrair a atenção do publico para o conhecimento do mito e de suas formas de representação e apropriação. Sua utilização como ilustração deste assunto é extremamente válida.

Referências Bibliográficas:

BACZKO, Bronislaw. Imaginação Social In:Enciclopédia Einaudi. Porto: Imprensa Nacional, 1985.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Lisboa: Difel; Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.

CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito.-São Paulo: Editora Palas Athena, 2003.

CARDOSO, Ciro Flamarion & VAINFAS, Ronaldo. (orgs). Domínios da História. 4ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

CHARTIER, Roger. A História Cultural entre práticas e representações. Rio de Janeiro: Difel/Bertrand Brasil, 1985.

CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 1995.

ELIADE, Mircea. Mito e realidade -São Paulo: Editora Perspectiva, 1998.

FALCON, Francisco. História Cultural: Uma nova visão sobre a sociedade e a cultura –Rio de Janeiro: Editora Campus, 2002.

GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição –São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

Mitos, Emblemas, Sinais: Morfologia e História . –São Paulo: Companhia das Letras, l989.

MACHADO, Maria Clara Tomaz. Cultura Popular e desenvolvimento em Minas Gerais.: caminhos cruzados de um mesmo tempo . São Paulo: Departamento de História/USP, 1998. (tese de doutoramento).

SHARMAN-BURKE, Julier. O tarô mitológico. Tradução Anna Maria Dalle Luche. –São Paulo: Editora Arx, 1988.

Mitologia: Muito Além das Lendas


Quem já não se encantou pela magia dos mitos? Quem já leu tais contos e não ficou admirado com feitos heróicos e deuses poderosos; atraído pela fantasia tão bem elaborada em tempos remotos? De certo, tal encantamento não pode ser oriundo apenas de uma afinidade pela ficção; os textos mitológicos são muito mais que meras estórias – carregam uma vasta relação com a natureza humana e suas manifestações. Ou seja, a mitologia pode ser muito mais verossímil do que se pensa.Um dos aspectos mais explícitos da relação “mito-realidade” é a importância que as questões religiosas têm na mitologia. Em muitos dos contos mitológicos, pode-se ler sobre os ritos e sacrifícios a serem prestados a um deus (ou deuses), ou como eram castigados aqueles que iam de encontro à vontade deste(s) deus(es). Tudo isso, bem como as constantes atribuições de qualquer fenômeno aos desígnios de uma força sobrenatural, denotam que, mesmo com algumas divergências quanto ao que transmitem, mito e religião não diferem quanto ao modo que narram ou à veracidade do que narram.

Outra faceta dos mitos está em sua proximidade com a psicologia. O próprio Freud considerava que, mais do que simples composições fantásticas sobre como povos ancestrais viam o mundo, os mitos seriam manifestações metafóricas dos sentimentos, do inconsciente destes povos. Neste mesmo raciocínio, Freud recorreu a um mito grego para dar nome ao complexo de Édipo: o mito do rapaz que mata o pai e se casa com a mãe seria uma representação da atração de caráter sexual que o filho, durante a infância, sente pela mãe, tal como o desejo de superar o pai.


O mito é, também, estreitamente relacionado com a formação cultural de uma sociedade. Surgido como uma simples narração passada verbalmente pelas gerações, o mito foi, com o tempo, trabalhado e adaptado, reorganizado de modo a parecer mais coerente; mas mesmo tais alterações não fizeram com que se perdesse por completo a sua essência. Ao invés de se descaracterizar, o mito ganhou nova riqueza de conteúdo; passou a abranger toda uma narrativa do processo histórico-evolutivo das sociedades que o compunham. Ou seja, em sua linguagem simbólica, o mito não mais relata somente um acontecimento histórico (exemplo: O ataque das tropas gregas à ilha de Creta), mas também todo o contexto que levou a tal fato, bem como suas conseqüências (o que, no mesmo exemplo, seria: a devastação da civilização cretense e a conseqüente corrupção da cultura local, “misturada” com a grega).

Felizmente, mesmo com tantas mudanças ao longo da história, ainda pode-se ver em cada conto mitológico seu autêntico caráter simbólico, imaginativo, impossível de ser traduzido apenas pelo sentido literal; o mito não mais pode ser considerado um simples conto, torna-se sublime obra de arte da consciência humana – criação que inspira novas obras.

Por Rafael Brito


quinta-feira, 26 de julho de 2018

Sarcófago de granito negro é encontrado no Egito

Um misterioso sarcófago de granito negro foi encontrado por arqueólogos em Alexandria, no Egito. As dimensões dele impressionam: com 1,85m de altura, 2,65m de profundidade e 1,65m de largura, é o maior artefato do gênero já encontrado no país. Junto a ele, também estava uma escultura de alabastro representando uma cabeça.

De acordo com Ayman Ashmawy, do Ministério de Antiguidades do Egito, o sarcófago nunca foi aberto desde que foi selado, há mais de dois mil anos. Esse fato é muito raro, já que tumbas egípcias antigas têm sido saqueadas e arrombadas no decorrer dos últimos séculos.

O sítio arqueológico onde ele foi encontrado data do período Ptolomaico (305 a.C - 30 a.C). Os especialistas agora procuram descobrir o que há dentro do artefato. Os arqueólogos acreditam que a escultura encontrada pode representar a pessoa enterrada ali, mas ainda é cedo para que isso seja confirmado.

Pelas características do sarcófago, especula-se que ele deva pertencer a alguém com alto prestígio social. A descoberta pode ajudar a entender melhor os costumes dos habitantes de Alexandria, uma das cidades mais importantes da antiguidade.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Encontros entre gigantes reais e exploradores confirmados pela História



Os seres humanos sempre foram fascinados pelo que se encontra além das fronteiras e horizonte do nosso mundo, pelo que se encontra na próxima colina ou sobre as ondas além do que vemos. Esse fascínio nos levou a explorar e entender nosso planeta desde os tempos remotos, e incontáveis ​​exploradores ultrapassaram as fronteiras de nossos mapas e os limites de nosso horizonte para descobrir, domar e conquistar. Temos muitos registros dessas aventuras e, muitas vezes, espreitam dentro delas histórias surpreendentes sobre povos e criaturas estranhas, algumas das quais são tão misteriosas e desconcertantes como eram então; e uma delas é sobre os gigantes do Novo Mundo.

Talvez o conto mais intrigante e amplamente conhecido de verdadeiros gigantes na era da exploração tenha começado com um relato sobre ninguém menos que o grande explorador português Fernão de Magalhães. Entre os anos de 1519 e 1522, Magalhães embarcou em sua mais famosa viagem, uma expedição para procurar uma boa rota para as ilhas Maluku das Índias Orientais, que acabaria resultando na primeira circunavegação do mundo. Magalhães recebeu o comando de cinco navios e uma parte de sua viagem levou-os através do vasto oceano até a distante terra da Patagônia, no extremo sul da América do Sul. Foi aqui que a expedição se deparou com uma visão bastante desconcertante.

De acordo com relatos do cronista oficial da expedição, Antonio Pigafetta, ao se aproximarem da costa da Patagônia, eles testemunharam uma pessoa de “enorme estatura” dançando e pulando nua na praia, enquanto estranhamente jogava poeira em sua cabeça. Aparentemente, um membro da tripulação foi enviado para tentar fazer contato com o misterioso gigante e, ao chegar à costa, o homem começou a imitar os movimentos excêntricos e o comportamento do gigante em um esforço para ampliar a amizade. Pigafetta relataria o que aconteceu assim:


O capitão-geral [isto é, Magalhães] enviou um dos nossos homens ao gigante para que ele pudesse realizar as mesmas ações, como um sinal de paz. Feito isso, o homem levou o gigante a uma ilhota onde o capitão-general aguardava. Quando o gigante estava na presença do capitão-geral e em nossa presença, ele ficou muito maravilhado e fez sinais com um dedo para cima, acreditando que tínhamos vindo do céu. Ele era tão alto que chegávamos apenas à sua cintura e ele estava bem proporcionado.

Os exploradores supostamente deram comida e bebida a essa enorme criatura, e notou-se que o gigante estava absolutamente aterrorizado quando viu um espelho. Magalhães e seus homens finalmente puderam fazer contato com o resto da tribo da criatura, e eles estavam em bons termos a princípio, ganhando lentamente a confiança dos gigantes ao longo de várias semanas, até mesmo comendo e caçando com eles. Infelizmente, os exploradores europeus que eram, os homens não resistiram a tentar capturar alguns deles para levar para casa. Dois dos gigantes foram supostamente capturados, mas não sobreviveram à longa e angustiante jornada de volta à Espanha, o que significa que não retornaram com nenhuma evidência real de gigantes na Patagônia, mas somente com suas histórias fantásticas sobre o que haviam visto.

As histórias realmente decolaram e, de fato, a Patagônia se tornaria sinônimo da imagem de gigantes desajeitados. Tal foi a popularidade do conto que o próprio nome da região, a Patagônia, vem do nome de Magalhães para as criaturas, patagones, que podem ser derivadas da palavra espanhola pata, que significa “pé”, tornando o nome algo semelhante a “A Terra dos Pés Grandes”, ou pode simplesmente vir dos personagens fictícios de homens selvagens que os Patagônicos caracterizaram em um livro da época chamado Primaleon, dependendo a quem você perguntar.

As histórias desses gigantes misteriosos que vivem no vasto oceano em alguma terra distante e exótica realmente capturaram a imaginação na época, e isso seria ainda mais estimulado quando outros relatos dos gigantes da Patagônia começaram a surgir de outros exploradores nos anos posteriores. Por exemplo, em 1579, Francis Fletcher, capelão de Sir Francis Drake, escreveu sobre esses gigantes, que diziam ter cerca de 3 metros de altura. Na década de 1590, o explorador Anthonie Knivet também alegou que durante seu tempo na Patagônia, ele havia visto alguns cadáveres dos gigantes, que foram estimados em cerca de 3,6 metros de altura, e havia outro relato do explorador inglês William Adams, que alegou que sua expedição tinha sido atacada por nativos invulgarmente grandes enquanto contornava a Terra do Fogo.

Tais encontros alimentaram ainda mais rumores de que a Patagônia era de fato uma terra de gigantes, e esses relatórios extremos continuariam. Em 1615, os circunavadores holandeses Willem Schouten e Jacob Le Maire alegaram ter encontrado uma sepultura misteriosa que estava cheia de ossos e restos de seres estranhos que teriam cerca de 3,3 metros de altura. Em 1766, houve o relato de que o comodoro John Byron, que havia circunavegado o mundo a bordo do navio Dolphin, havia encontrado uma tribo de enormes nativos na Patagônia, que mediam entre 2,40 metros e 3,60 de altura.


Esses enigmáticos relatos vindos desses exploradores da Patagônia não só despertaram muita surpresa, mas também debate e ceticismo da comunidade científica. Muitos acadêmicos acreditavam que os contos eram fraudes, exageros excessivos ou um ardil para cobrir as reais intenções por detrás daqueles que faziam excursões à América do Sul, mas a crença de que esses gigantes eram reais, no entanto, persistiu entre a população em geral. Nos últimos anos, as lendas românticas dos gigantes da Patagônia diminuíram um pouco à medida que informações mais realistas vieram à luz, como um relatório oficial revisado das viagens de Byron, lançado em 1773, no qual foi escrito que os nativos que eles encontraram tinham na verdade apenas 2,0 metros de altura, que ainda era muito alto para a época, mas longe dos rumores de 2,40 a 3,60 metros. Além disso, em 1628 o sobrinho de Sir Francis Drake afirmou em seu livro The World Encompassed, que a altura dos ‘gigantes’ que seu tio havia encontrado e falado fora altamente exagerada, escrevendo:

Magalhães não estava totalmente enganado em nomear esses gigantes, pois eles geralmente diferem do tipo comum de homem, tanto em estatura, grandeza e força de corpo, quanto também na hediondez de suas vozes: mas eles não são nada tão monstruosos e gigantescos como estavam representados, havendo alguns ingleses tão altos quanto o mais alto que pudemos ver, mas talvez os espanhóis não achassem que algum inglês viria para reprová-los e, portanto, presumiram que poderiam mentir audaciosamente.

Acredita-se que esses exploradores possam estar realmente se deparando com uma tribo da Patagônia chamada Tehuelche, que tem uma das alturas médias mais altas do mundo, comumente excedendo 1,80 metros e alcançando mais de 2,10. Eles teriam certamente se sobrepujado na maior parte da Europa. Os exploradores do dia, que normalmente teriam ficado na faixa de 1,52 metro, e os subsequentes exageros, rumores, recontagens e erros de identificação de observadores poderiam ter visto as descrições da altura dos ‘gigantes’ aumentarem, dando origem a histórias misteriosas de viajantes contendo rumores e boatos. No entanto, no caso de Magalhães, o cronista era um observador astuto e tinha um olho para os detalhes, com a maioria de suas informações bastante precisas, por isso é difícil dizer se Pigafetta teria inventado tal coisa.

A Patagônia não é o único lugar que viu relatos históricos de gigantes reais à espreita no sertão do Novo Mundo, e criaturas semelhantes foram descritas durante a era dos Conquistadores nas selvas do que hoje é a Flórida. O conquistador espanhol e explorador Pánfilo de Nárvaez enfrentou uma desastrosa e fracassada invasão do norte da Flórida, depois de perder a maioria de seus homens para ataques e doenças nativas, falta de suprimentos adequados e ser abandonado pelos próprios navios que os levaram até lá, e ele mesmo desapareceria depois de partir para Cuba em uma jangada improvisada.

Um sobrevivente de toda a provação foi um oficial subalterno chamado Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, que junto com um grupo de outras pessoas decidiu ir direto para a segurança no México, o que eles erroneamente acreditavam estar muito mais perto de onde estavam do que na verdade estava. Eles construíram uma jangada e partiram em sua viagem mal concebida, e Cabeza de Vaca sobreviveria à provação e seguiria até o Texas, antes de finalmente voltar para a Espanha e finalmente escrever um relato de aventuras. Enterrado neste diário está um relato muito estranho e angustiante em que esse grupo heterogêneo aparentemente encontrou um grupo de gigantes misteriosos muito agressivos ao atravessar um lago na Flórida. Cabeza de Vaca afirmou em seu diário:

Quando tentamos atravessar o grande lago, ficamos sob o pesado ataque de muitos índios gigantes escondidos atrás das árvores. Alguns dos nossos homens foram feridos neste conflito, pelo que a boa armadura que usavam não valeu. Os índios que havíamos visto eram todos arqueiros. Eles andavam nus, eram grandes, e aparecem à distância como gigantes. Eram de proporções admiráveis e de grande atividade e força. Os arcos que usavam eram tão grossos quanto o braço, de onze ou doze palmos de comprimento, que atiravam a duzentos passos, com uma precisão tão grande que não erravam nada.

Outras áreas da América do Norte tiveram relatos históricos de gigantes na mesma época, e os povos indígenas frequentemente falavam de criaturas gigantescas que habitavam a terra. Em 1519, uma aldeia inteira de gigantes foi supostamente encontrada em algum lugar ao longo do rio Mississippi pelo explorador Alonzo Álvarez de Piñeda durante uma expedição para mapear a área da Costa do Golfo. Piñeda os descreveu como uma “raça de gigantes, de dez a onze palmos de altura”, e disse que eles eram pacíficos e tinham uma riqueza de ouro, ainda que os nativos ficassem aterrorizados com eles. Anos depois, em 1539, houve também o relato de Hernando De Soto, que ficou cara a cara com numerosos gigantes durante suas aventuras pela porção sudeste do que hoje são os Estados Unidos. De Soto partira de Tampa Bay, na Flórida, com um contingente de centenas de homens, e durante a jornada eles supostamente encontravam com frequência tribos de nativos governados por gigantes. Um deles era um chefe Tuscaloosa, que foi encontrado no oeste do Alabama e disse ser um homem enorme e gigante que se elevava sobre todos os outros.


Há também os relatos do conquistador e explorador espanhol Hernando de Alarcón, que estava tentando encontrar um rio que pudesse ser usado para transportar suprimentos para as tropas espanholas ao longo das costas da Califórnia e do México. Alarcón subiu o rio Colorado até o Grand Canyon, e durante essa jornada ele e seus homens supostamente se depararam com uma tribo de cerca de 200 guerreiros gigantes de até 3 metros de altura. Os gigantes eram supostamente muito agressivos, mas Alarcón os apaziguou com presentes e outros sinais de paz. O conquistador Francisco Coronado também contou que se deparou com tribos inteiras de gigantes durante sua missão em todo o sudoeste em busca do lendário El Dorado.

Em alguns casos, foram encontradas evidências físicas desses gigantes, como supostamente aconteceu com o conquistador Bernal Díaz del Castillo, que serviu sob Hernán Cortés durante a conquista espanhola do México. Dentro das páginas de seu registro detalhado da conquista e subsequente colapso do Império Asteca, A Verdadeira História da Conquista da Nova Espanha, há um estranho relato de uma raça de gigantes que foi dita pelos índios Tlaxcatec de terem habitado uma vez o área. O chefe da tribo então forneceu os restos desses misteriosos gigantes como evidência, dos quais Castillo escreveria sobre os contos e os restos:

Eles disseram que seus ancestrais haviam dito a eles que homens e mulheres muito altos, com ossos enormes, haviam morado entre eles. Mas como eram pessoas muito más com costumes perversos, lutaram contra eles e os mataram, e os que restaram morreram. E para nos mostrar o quão grandes eram esses gigantes, eles nos trouxeram o osso da perna de um, que era muito grosso e da altura de um homem de tamanho comum, e isso era um osso da perna desde o quadril até o joelho. Avaliei-me contra isso, e era tão alto quanto eu, embora eu tenha uma altura razoável. Eles trouxeram outros pedaços de ossos do mesmo tipo, mas estavam todos podres e devorados pelo solo. Ficamos todos admirados com a visão desses ossos e nos sentimos certos de que deve ter havido gigantes naquela terra.

Não está claro o que aconteceu com esses restos, e este permanece sendo apenas mais um relato estranho e não verificado entre muitos.

Aqui examinamos alguns dos inúmeros relatos de gigantes reais sendo encontrados em toda a América do Norte e do Sul na era da exploração, e tais relatos desapareceram na história para serem esquecidos e desprovidos de qualquer evidência ou prova real. Fica-se a pensar se há alguma verdade nesses relatos históricos desses maciços monstros, ou se eles são apenas grandes contos criados por exploradores cautelosos ou o produto de anos de evolução. É difícil determinar quanto desses contos são reais ou fabricados, e somos amplamente deixados para especular e nos perguntar sobre o que esses exploradores viram lá fora nessas áreas desconhecidas do planeta. Se os relatos foram reais ou não, a ideia de que os gigantes já percorreram o mundo é tentadora e provavelmente irá disparar a imaginação por um longo tempo para vir.


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Erich Von Däniken declara: “O contato extraterrestre é iminente”


Erich Von Daniken esteve em Barcelona há poucos dias participando do Ufology World Congress II para apresentar suas experiências e teorias sobre a vida extraterrestre e o contato iminente com a humanidade.
Von Daniken é bem conhecido por ser uma das primeiras pessoas a divulgar a hipótese de que a Terra possa ter sido visitada por alienígenas no passado. Ele é um escritor prolífico; estima-se que tenha vendido mais de 63 milhões de cópias de seus 26 livros, que foram traduzidos para mais de 30 idiomas. Ele populariza sua hipótese através de seus numerosos livros, vídeos e programas de televisão, como a série de documentários do History Channel, ‘Alienígenas do Passado’.

Segundo o autor, existem mitos, lendas e textos antigos em todo o mundo que são indicadores claros do papel desempenhado pelos ‘deuses’ no desenvolvimento da humanidade. Todas essas histórias e mitos repetem o mesmo resultado: um dia, os alienígenas retornarão à Terra. E Von Daniken assegura que o contato extraterrestre real acontecerá nos próximos 10 anos. Como ele mesmo comenta:

Isto é o que aconteceu: os alienígenas visitaram a nossa Terra há muitos milênios atrás. Eles se comportaram de forma semelhante ao comportamento dos etnólogos atuais. Eles estudaram algumas línguas, visitaram diferentes tribos, deram sugestões e desapareceram em algum momento, porém, com a promessa de retornar em um futuro distante.

Nossos ancestrais da Idade da Pedra não conseguiam entender o que havia acontecido naquele momento. Eles erroneamente acreditavam que os alienígenas eram deuses, o que supostamente entrou em nossa mitologia e se tornou o fundador de muitas religiões. Eu venho conduzindo pesquisas há 65 anos para substanciar essas ideias. Meu trabalho agora está presente em 40 volumes. Muitos filmes e séries de TV foram possíveis graças ao meu pensamento.

Não sou um esotérico, eu não confio nas declarações de outros seres humanos que afirmam ter contato real ou suposto com as tripulações dos OVNIs hoje. Tudo que eu digo deve ter significado em si mesmo; deve ser conclusivo. É por isso que, em particular, meus novos livros são ricos em ilustrações. E, claro, eles contêm fontes que podem ser verificadas.

Por que eu faço o meu trabalho? Vivemos em um mundo de religiosos e, infelizmente, muitas vezes cientistas idiotas. A humanidade é encorajada a acreditar em um Deus ciumento do Antigo Testamento, que nunca foi um deus. Acreditar nos anjos, que não eram realmente isso, e ‘veículos celestes’ que nunca existiram.

Por milênios, não se tratava de ‘algo celestial’, mas de extraterrestres. Indivíduos também não foram ‘levados para o céu’, mas levados em uma espaçonave. De incontáveis ​​antigos registros escritos, sei que esses ‘deuses’ prometeram retornar. Então, experimentaremos o choque de Deus. Uma catástrofe total na religião e ciência. E tudo teria sido tão fácil de entender, sem esse choque de deus. A evidência fala uma linguagem clara. Isso é o que me motiva.

O “contato extraterrestre” tornou-se algo que milhões de pessoas em todo o planeta estão esperando. As conquistas científicas, a aceitação social derivada do ‘bombardeio’ contínuo dos filmes e séries sobre extraterrestres no universo nos permitiu estar preparados para finalmente encontrar civilizações alienígenas sem causar perturbações sociais. Você não acha o mesmo?

 
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segunda-feira, 9 de abril de 2018

10 Amuletos Mágicos da Sorte e Suas Sinistras Histórias


Como um todo, a humanidade é muito supersticiosa. O mundo é um lugar cruel e precisamos de toda a ajuda que pudermos obter. Então, nos voltamos para os nossos amuletos e orações, nossos talismãs, e às vezes, até mesmo os nossos animais com a esperança de que um pouco de boa sorte vá nos proteger de tudo o que está lá fora. No entanto, alguns desses encantos tem uma história muito perturbadora.

(01) A Medalha Exorcística de São Bento



Na parte frontal da medalha, temos a imagem de São Bento segurando uma Cruz no alto em sua mão direita (símbolo de sua grande devoção, fez muitos milagres com o Sinal da Cruz) e sua regra para Mosteiros na mão esquerda. Por causa disso, a medalha é muitas vezes referida como a Medalha-Cruz de São Bento. Inscrições: "Crux s. Partis Benedicti" (Cruz de nosso Santo Padre Bento), "Eius em obitu nostro praesentia muniamur" (Que possamos ser reforçados pela Sua presença na hora de nossa morte!) e "ex SM Casino" (de Santo Monte Cassino, 1880: moeda cunhada para o 1400 Aniversário do nascimento de São Bento). Atrás da imagem do Santo, há uma figura que simboliza um cálice, de onde saem uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando duas tentativas de envenenamento das quais São Bento se salvou milagrosamente. Até aqui, tudo normal: uma medalha em homenagem ao Santo.

Mas na parte traseira da Medalha, existe um encantamento recitado para afastar o diabo. As letras em torno do exterior da medalha (VRSNSMV - SMQLIVB) são iniciais para uma frase, e significam "Vade retro Satana; nunquam suade mihi vana! Sunt mala quae libas. Ipse venena Bibas!". Em português se traduz" Afaste-se Satanás! Nunca me tente com suas vaidades! O que você me oferece é mau. Beba o veneno você mesmo!". "CSPB": Crux s. Patris Benedicti (cruz de nosso Santo Padre Bento). E "PAX", significa Paz, que é um lema beneditino durante séculos. CSSML: Crux Sacra Sit Mihi Lux - "A cruz sagrada seja minha luz". NDSMD: Non Draco Sit Mihi Dux - "Não seja o dragão meu guia".

O encantamento que adorna a medalha veio há pouco tempo, e foi descoberto durante um julgamento por bruxaria. Em 1647, um grupo de mulheres foram a julgamento por bruxaria na cidade bávara de Natternberg, Alemanha. As mulheres testemunharam que enquanto elas exerciam o poder da bruxaria e do diabo, havia um lugar onde elas não tinham poder: a abadia nas proximidades, em Metten. As mulheres disseram que a abadia estava sob algum tipo de proteção particularmente poderosa, e elas foram incapazes de superar o que quer que fosse.

Abadia em Metten, Alemanha. 
Quando a abadia foi investigada para descobrir por que ela tinha mantido as bruxas à distância, o povo da cidade encontrou algo: cruzes pintadas nas paredes da abadia com a mesma inscrição que é usada agora na medalha. Não havia nenhum indício de sobre o que as letras representavam até que um manuscrito datado de 1415 foi descoberto. O manuscrito descrevia a iluminação de um santo segurando um pergaminho e um cajado. No cajado estava todo o encantamento que agora está associado com Bento.

O encantamento que havia sufocado o poder das bruxas foi viral no século 17 e medalhas carimbadas com as letras espalharam-se por todo o continente. Elas ficaram conhecidas por ser extremamente eficaz contra alguém que sofre de possessão demoníaca. Também acreditam que possa dar a proteção divina, ajudar a afastar qualquer mal, e, finalmente, trazer a paz de espírito e um coração puro.

(02) Medalha Anting-Anting



As Lendas sobre o amuleto Anting-Anting vem das Filipinas. Acredita-se que o amuleto protegia o usuário de qualquer dano causado por balas ou facas e tornou-se popular entre os bandidos. Em seu tratado sobre folclore, John Maurice Miller contou a história do Líder Manuelito de uma gangue de foras-da-lei, que se mantiveram seguros por causa de seu Anting-Anting. De acordo com a história, Manuelito teve inúmeros desentendimentos com a lei e diziam que não importava quantas pessoas estavam atirando contra ele, sua Anting-Anting desviava quaisquer balas que chegavam perto dele.

Durante festas e comemorações, ele combinava com seus próprios capangas para que disparassem contra ele, tudo para demonstrar sua invencibilidade. Como o bandido e seus homens estavam próximos de Manila, capital das Filipinas, um grupo de Macabebes foram despachados para tentar pôr fim ao seu reinado de terror de uma vez por todas. Eles atiraram com suas balas de prata, cujo material havia sido extraído e derretido de uma estátua da Virgem Maria. Era a única coisa poderosa o suficiente para superar o Anting-Anting e, finalmente, conseguiram matar o líder foragido.

Cópias charmosas de Manuelito foram feitas em grande número, mas o folclore por trás de fazer e encantar uma Anting-Anting é muito terrível. Era mais eficaz quando eles eram feitos durante a Semana Santa. Um dos métodos era a exumação de uma criança não batizada ou de um bebê abortado. O corpo era colocado dentro de um tubo de bambu, e o líquido que escorria do corpo em putrefação era drenado do tubo e recolhido. Em seguida, o líquido era lentamente bebericado por quem queria ganhar a proteção do Anting-Anting. Um outro método, mais alternativo era ir a um cemitério durante a Semana Santa e colocar uma oferta de comida e vinho em uma tumba. Os espíritos iriam consumir a refeição e deixar para trás uma pedra branca, dando sua proteção em troca da refeição.

(03) Limpadores de Chaminés



Superstições e crenças têm crescido em torno de uma das ocupações mais improváveis: ​​limpadores de chaminés. Na Alemanha, ver um limpador de chaminés perto do ano novo é considerado um sinal de que boas coisas estão por vir no próximo ano. Vários países, como Alemanha e Inglaterra, usam brinquedos e iguarias comestíveis na forma de raspadores e ferramentas usadas pelos limpadores como amuletos de boa sorte. Na Inglaterra, incluir um limpador de chaminés em sua lista de convidados do casamento é uma maneira garantida de trazer sorte e fertilidade. Muitos limpadores de chaminés modernos se alugam para casamentos como continuação de uma prática que tem sido forte desde o reinado do Rei George II.



Segundo a sabedoria tradicional, esses trabalhadores ingleses desfrutam de sua reputação como um amuleto da sorte por causa de uma vassourada com o raspador que salvou o rei George II. Uma versão da história diz que o rei estava andando de cavalo quando este se assustou com um cão, e um limpador de chaminés entrou em cena para salvar o dia. Noutra versão, o rei estava na carruagem, mas o resultado é o mesmo. Desde então, o raspador foi oficialmente reconhecido como uma espécie de sorte quando você o mantém ao seu redor.

No entanto, aqueles que foram forçados a ser limpadores de chaminés na Era Vitoriana eram tão azarados como o máximo que se poderia ser. Os meninos novos que eram pequenos o suficiente para caber nas chaminés eram aprendizes sob o ensinamento de um varredor mestre.


Na década de 1870, os jornais estavam cheios de exemplos de varredores mestre recebendo vereditos de culpa em acusações de homicídio culposo. Em fevereiro de 1875, um limpador de Cambridge foi considerado culpado pela morte de um menino que ele tinha forçado a subir em uma chaminé em combustão no Fulborn Asylum (Hospital Psiquiátrico), que morreu sufocado na fuligem.

Fulborn Asylum (Hospital Psiquiátrico), em Cambridge, Inglaterra.
Folclore de um tipo diferente também foi usado para assustar as crianças. Meninos levados e bagunceiros eram avisados ​​de que o limpador de chaminés viria, os colocaria em um saco, e os levaria até a chaminé, se não se comportassem - a típica lenda do Homem do Saco.

(04) Ferraduras da Sorte



Se ele está pendurado em uma parede para manter e recolher toda a boa sorte ou para derramar sobre todos que passam, a ferradura é uma superstição comum. Uma explicação de como ela veio a ser um amuleto de sorte é um conto sombrio de Saint Dunstan (Bispo de Londres, 909 d.C - 988 d.C), um homem santo que trabalhava como ferreiro em uma forja, quando ele não estava ocupado fazendo orações ou tocando sua harpa.


De acordo com a história, São Dunstan estava tocando sua harpa quando o diabo o ouviu cantar. A música encheu o diabo de ódio, e sem conseguir evitar, também começou a cantar. O diabo fez um barulho tão horrível que Dunstan sabia que só poderia ser feito por algo verdadeiramente mal. Dunstan agarrou-o pelo nariz com um par de alicates quentes da forja e passou a pregar ferraduras quentes nos pés do diabo, que atravessava as unhas através da pele macia. Os gritos de agonia eram altos o suficiente para acordar os mortos.


Dunstan se recusou a remover as ferraduras de suas unhas até que o diabo assinasse um acordo prometendo nunca mais incomodar as pessoas enquanto elas estivessem rezando na igreja ou em qualquer lugar sob a proteção de uma ferradura. Dunstan manteve sua parte do acordo, e desde então, a ferradura protege a quem a mantém por perto e enquanto permanecerem virtuosas.

Há um par de outras explicações sobre a ferradura, incluindo a associação com o número sete (a quantidade usual de pregos utilizados). Curiosamente, ao contrário da ferradura, o ferreiro foi tipicamente associado com o mal em vez do bem, sendo frequentemente ligado à prática de magia negra. Já o Whitesmith (pessoas que trabalham com chumbo ou estanho) eram considerados pessoas muito mais respeitáveis.

(05) Cabeça Decepada da Medusa



Desde os tempos da Grécia antiga, a cabeça decepada de Medusa tem sido um amuleto de boa sorte bizarro. A imagem da cabeça decepada (chamado Gorgoneion) foi adicionado a tudo. Quando colocada em escudos, acreditava-se proteger os homens que foram encaminhados para a batalha. Se usada como uma máscara pelos atores, os protegeriam da maldição do mau-olhado. A imagem da cabeça da górgona estava em todos os lugares, todos com a crença de que ela protegia o usuário. Foi ainda utilizada por Minerva, cimentando a crença de que detinha poderes de proteção.


A imagem da mulher com serpentes no cabelo surgiu a partir do conto grego épico de Perseu e Medusa. Medusa era uma das três irmãs, e a única irmã que era mortal. Depois que Perseu removeu sua cabeça por ordem do Rei Polydektes de Seriphos, ele foi perseguido por suas irmãs imortais.

Perseu faz a decapitação de Medusa, de onde nasceram Pegasus e Chrysaor
Antes de Medusa ser morta, ela era a amante de Poseidon. Em sua decapitação, ela deu à luz a seus filhos, cavalos alados, Pegasus, e Chrysaor (que era às vezes são representados como um gigantes e, por vezes, como javalis alados), que saltaram de sua cabeça cortada.



Enquanto os primeiros escritos sobre Medusa e suas irmãs as descrevam como demônios marinhos hediondos, às vezes é o infeliz encontro com Poseidon que transformou a outrora bela Medusa no monstro com cabelos de cobra. Quando ela e Poseidon profanaram um santuário de Athena, ela foi amaldiçoada a se tornar o monstro pelo qual ela é lembrada.

(06) Janelas de Bruxa


Datado de 1830, as janelas inclinadas chamadas popularmente como "Janelas de Bruxa" são uma peça de design arquitetônico que é bastante exclusivo no estado de Vermont, EUA. Essas janelas eram instaladas no segundo andar das casas, posicionadas em um ângulo de 45 graus, com uma explicação perfeitamente razoável. Quando adições de novos cômodos eram feitas na casa, a nova parte do edifício frequentemente cobria as janelas antigas. O espaço deixado para instalar novas janelas era geralmente muito apertados, então as janelas bruxa angulares eram perfeitamente úteis para que aquele cômodo não ficasse sem janela. Numa época em que as pessoas faziam o máximo proveito dos materiais que tinham em mãos, janelas bruxas eram muitas vezes feitas de materiais que sobravam.


O folclore popular que tem crescido em torno destas janelas é que eles estavam lá para proteger os moradores da casa de bruxas. De acordo com a história, bruxas não podem virar suas vassouras para voar através de uma janela que está fixada em um ângulo.

Também chamados de janelas caixão, remonta uma época em que as pessoas geralmente eram veladas em suas casas. Poderia ser difícil de manobrar um caixão por causa dos corredores apertados e escadas de uma casa do século 19. As janelas caixão angulares foram criadas supostamente para tornar mais fácil retirar o caixão para fora da casa, em vez de tentar tirá-lo através de uma porta.

(07) Pedras Capão


Pedras capão eram consideradas peças de sorte, pelo menos desde o tempo de Plínio. O antigo filósofo escreveu sobre as pedras em sua famosa obra História Natural e as descreveu como rochas do tamanho de feijões recuperados das moelas de galos castrados, animais conhecidos como capões. Plínio observou uma história sobre uma pedra capão que supostamente tornou um homem chamado Milo de Croton invencível. Até o segundo século, a pedra capão não estava apenas associada a fazer alguém invencível. De acordo com a escrita de Damigeron, um mágico que coloque a pedra na sua boca seria dotado de proezas de batalha, eloquência, charme, bom caráter, e a capacidade de fazer uma esposa cair sobre si mesma em seus esforços para agradar ao marido.

Ao longo do próximo século, mais benefícios foram adicionados aos poderes da pedra. Se ela fosse tirada de um capão que tinha sido castrado na idade de três, quatro, sete, nove ou dez anos, eliminaria também a necessidade de beber álcool em uma pessoa, tornaria o parto mais fácil, e curaria doenças nos olhos. Os textos médicos do século 16 sugerem que os médicos tentaram corrigir problemas de visão com uma espécie de versão inicial da lente de contato. Foi feita a partir de um cristal semelhante ao das pedras capão e inserida no olho. Eles observaram que o cristal deve ser pequeno e altamente polido, com uma nota informando que o único prejuízo foi realmente causado pelo incômodo do objeto cortante, além da vermelhidão causada pela dificuldade de respiração da córnea, cerca de 30 minutos após a inserção.


Temos certeza de que o salto de charme benéfico para lente de contato surgiu após um mal-entendido de séculos de idade. O médico romano Dioscorides foi o autor de um texto médico que permaneceu em uso por cerca de 1.600 anos. No texto, ele parafraseia Plínio e descreve a camada interior do estômago do capão. Quando a pedra secava, era triturada em pó e adicionada ao vinho: soube-se que resolvia problemas no estômago. A partir daí, outros interpretaram que a colocação da pedra capão em sua boca iria conceder seus efeitos.

(08) Camisa Fantasma


A Camisa Fantasma era uma parte da religiosidade dos nativos americanos do século 19 do Movimento Ghost Dance. De acordo com os ensinamentos do movimento, a camisa fantasma iria proteger seu portador do mal e, mais especificamente, de balas. Hoje, acredita-se que, para muitos, a camisa fantasma foi uma demonstração tangível de um desejo de paz.

Em 1896, James Mooney registrou suas impressões sobre a Camisa Fantasma. Ele disse que elas foram usadas ​​por homens, mulheres e crianças sob suas roupas normais e, por vezes, como parte dos rituais Ghost Dance. Elas eram tipicamente decoradas com iconografia sagrada, e eles acreditavam que as imagens e as pinturas dariam à camisa seus poderes protetores. Alguns acreditam que eram imagens de guerra, e não de paz, e levou a um cisma na ideia por trás da camisa fantasma.

Massacre de Wounded Knee, 1890.
Em 1890, 250 Sioux foram mortos no massacre de Wounded Knee. Seus corpos foram saqueados, e um ano mais tarde, quando Wild Bill Cody (Buffalo Bill) apareceu na direção de seu Show Wild West ("Oeste Selvagem", o show incluía uma parada de cavaleiros, participação de índios americanos, grandes atiradores, Turcos, Árabes, Mongóis e Cossacos, com cavalos e roupas típicas, e com participações de Jane Calamidade e Touro Sentado) em Glasgow, ele tinha com ele alguns dos itens que haviam sido roubados dos mortos. Ele apresentou alguns dos itens para a cidade, incluindo uma Camisa Fantasma.


Somente em 1998 a Camisa Fantasma foi devolvida aos descendentes daqueles que tinham morrido em Wounded Knee. Eles foram entregues por funcionários da Escócia, que disse que eles sabiam que a peça precisava ser devolvida à sua casa.

(09) Pé de Coelho


Um pé de coelho pode dar sorte para qualquer um, exceto para o coelho. A crença é prevalente na América do Sul, onde os coletores de folclore têm encontrado inúmeras histórias de pessoas que afirmam que um pé de coelho mantém afastado qualquer dano, especialmente se eles estão sujeitos a certos rituais. Para ser realmente eficaz, ele precisa ser a pata esquerda frontal do coelho, e deve ser mergulhada em água encontrada em um toco de árvore podre em um cemitério à meia-noite. Outras histórias afirmam que é a pata dianteira direita, e o coelho deve ter sido morto em um cemitério.

Enquanto isso em um Universo Paralelo...
Por que um coelho? Parcialmente por causa de uma das histórias de Ole Brer Rabbit, registrado pela Biblioteca Greenwood de Lendas Folclóricas Americanas e de origem em 1900. A história diz que o Sul estava sendo atormentado por uma bruxa de 500 anos de idade, que tinha amaldiçoado as pessoas e os animais para morrerem de fome. Quando os chamaram o inteligente Compadre Coelho para ajudá-los, o coelho decidiu que sabotaria as roupas da bruxa quando ela se banhasse antes de sair para o seu negócio noturno do mal. Ele pegou uma cesta de pimenta, amassou-as em um purê, e encheu as roupas da bruxa com ele. Quando ela voltou e colocou sua roupa, ela ficou paralisada por causa das queimaduras das pimentas. Os animais a capturaram e a queimaram, pondo fim ao seu reinado de terror e fazendo de seus pés uma excelente proteção em homenagem ao coelho contra bruxas e seu mal.



Há também histórias de coelhos que são feridos durante a noite com as mesmas lesões que aparecem nas mulheres locais no dia seguinte, revelando que elas são bruxas. A ideia de coelhos serem bruxas, ou familiares das bruxas, fez com que os seus pés se tornassem um poderoso totem contra sua maldade. A preparação correta do pé iria colocar o poder da bruxa nas mãos da vítima.

(10) Gato Preto


Os gatos pretos eram considerados por dar boa sorte no antigo Egito e foram muitas vezes associados a Bastet, até que o seu culto foi proibido em 390 a.C. Em alguns lugares, o seu estatuto como protetores benevolentes continuou. Na Escócia, um gato preto aparecendo em sua casa é um sinal de que você vai ser próspero, e é comum para os navios tomarem um gato preto com eles em viagens para a proteção de má sorte e tempestades. No sul da França acredita-se que os gatos pretos são gatos mágicos, e faça-lhe um favor que você irá ganhar a sua bênção. Mas a queda do gato preto começou com bruxaria.

Em 1170, Peter Waldo fundou uma seita cristã chamada "Os Valdenses" com a afirmação de que todos tinham a capacidade de falar diretamente com Deus. Isso, é claro, colocou um amortecedor sobre o Papa e os negócios financeiros da igreja caíram, assim alegações foram feitas contra os valdenses depois que eles foram excomungados. Os Valdenses ficaram conhecidos como adoradores do diabo na forma de um gato preto. Era uma acusação que também seria movida contra os Cavaleiros Templários e os cátaros, começando com o delineamento de uma cerimônia herética adorando o gato descrita pelo escritor medieval Walter Map. De acordo com Map, os encontros dos cátaros 'contavam com grupos nas sinagogas que esperaram por um gato preto enorme que descia por uma corda que pendia do teto. Uma vez que o gato aparecia, eles apagavam todas as luzes e seguiam seu caminho com ele na escuridão, onde iria beijá-lo. O mesmo foi dito da Ordem dos Templários e foi uma das principais acusações feitas contra eles.


Mas historicamente, foi o Papa Gregório IX que deu um Strike no Gato Preto. Até Gregório, hereges e bruxas só eram normalmente investigadas quando alguém apelava à igreja para obter ajuda. Gregório, em seu texto Vox in Rama, afirmou que os gatos pretos eram um sinal claro de que seu mestre era uma bruxa ou um adorador do diabo. Ele passou a dizer que os próprios gatos estavam longe de espectadores inocentes, que eram participantes ativos nos rituais do mal, e, supostamente, quando eles tomaram a sua forma humana ele se transformaria em homens de pele clara com olhos negros. O sinal claro de que um gato preto era um desses demônios que mudam de forma foi o ponto de partida para chegarem à conclusão de que o fazia para ajudar no ritual da bruxa dando-lhe um beijo obsceno. Suas palavras deu início a uma campanha contra os gatos que durou mais de 500 anos. O sucesso foi tanto que é quase impossível encontrar um gato completamente preto em algumas áreas do mundo, porque eles foram caçados quase à extinção.

Fonte: Matrix Desvendada